Uns minutos com Belvedere

Tenho sido feliz procurando crescer dentro do que me propus.

Textos


Beleza e Sedução

 Belvedere Bruno

 

     Cedo teve consciência  de seu poder de sedução.  Olhares eram  dirigidos a ela constantemente.    Curtia  brincadeiras, principalmente a  de olhar com  olhos semicerrados.   Convite mudo, pensavam.

Andava com um  sensual balancear dos quadris,  e as mãos  passeavam  pelos cabelos, enrolando-os no alto  da cabeça,  para  que logo caíssem  sobre os  ombros como uma cascata.  Já tinha a sensualidade declarada através daquela  voz rouca, que mais  se acentuava  quando  queria exuberância  nas suas aparições.   Seios fartos, sempre soltos,  eram  verdadeiro convite à contemplação.  Tinha mania de   mordiscar os lábios, e  umedecia-os com a língua , como se pedisse beijos.

     

      Sair sem rumo pelas ruas , exercer  seu fascínio, sentir seu domínio... Corpo,  puro aroma de  almíscar!

 

      O tempo voa...Um   dia, acorda se perguntando o que, de fato, buscara na vida .  Até quando teria sua beleza e o  poder de sedução? Reflete sobre a voracidade do tempo, percebendo o  vazio de sua existência. Olha-se no espelho, vê  as finas rugas desenhadas em torno dos olhos, e os lábios, já  sem o antigo  frescor.

 

      Sente, então, o sabor do sal misturado ao aroma de almíscar, que vai se desvanecendo, enquanto  todos os  olhos  do mundo parecem  zombar dessa estranha sensação que envolve  seu ser.   A vida perdera o colorido,  transformando-se num filme em preto e branco.

 

     Caminhando  pelas ruas,   busca  outros rumos, evitando rotas tempestuosas.  Quem sabe,  ainda não encontraria  enredos que, mais do que um  novo epílogo, dessem novas profundidades para a sua história?

 

 Uma coisa era certa:  olhando sob esse ângulo, a vida se tornava muito mais sedutora!

 

 
belvedere
Enviado por belvedere em 24/06/2007
Alterado em 25/06/2007
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Texto de Belvedere Bruno). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras